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ENTRE O ATELIER E A AULA: PENCE CORTADA

  • 28 de abr.
  • 4 min de leitura

Atualizado: 29 de abr.



À medida que o aluno avança na prática da moulage, as dúvidas deixam de ser apenas operacionais e passam a envolver decisões técnicas já que início o foco está em executar corretamente: posicionar o tecido, alfinetar, marcar. Com o tempo, o aluno começa a questionar escolhas: por que fazer assim e não de outro modo?


Esse tipo de dúvida é importante porque indica evolução no aprendizado. O aluno deixa de apenas seguir um método e começa a entender o processo e uma das dúvidas mais comuns nesse momento é: Todas as pences podem ser cortadas ou algumas devem apenas ser dobradas?


A resposta é: depende. E que fique claro que esse “depende” é técnico, não subjetivo, Vamos lá, vou explicar melhor:


AFINAL, O QUE É A PENCE NA MOULAGE?


Antes de decidir cortar ou não, é fundamental entender o papel da pence. A pence é uma forma de ajustar o tecido plano ao volume do corpo, ela concentra o excesso de tecido necessário para criar forma tridimensional, ou seja, a pence não é um corte inicial. Ela é resultado do ajuste do tecido sobre o corpo ou manequim e a partir disso, surge a decisão: como tratar esse volume?


Quando a pence pode ser apenas dobrada: Pences menores, especialmente em tecidos leves ou médios, geralmente podem ser apenas dobradas e passadas, já que nesses casos:

* o volume interno é pequeno

* o tecido se adapta bem

* não há interferência no caimento externo


Tecidos como algodão leve, viscose, seda ou crepes costumam permitir esse tipo de solução e dobrar a pence mantém a estrutura simples e evita cortes desnecessários, o que pode ser importante em tecidos delicados. Além disso, em peças mais limpas ou com acabamento mais simples, essa solução é suficiente e adequada.


Quando o corte é necessário? O corte passa a ser necessário quando o volume interno da pence começa a comprometer o caimento e isso acontece principalmente em dois casos:

* pences grandes

* tecidos mais encorpados


Tecidos como lã, gabardine, denim ou materiais estruturados acumulam volume com mais facilidade e se a pence for apenas dobrada nesses casos, pode ocorrer:

* excesso de volume interno

* marcação visível do tecido por dentro

* distorção do caimento externo

* dificuldade de assentamento no corpo


O corte elimina parte desse excesso e permite que a peça fique mais ajustada e limpa.


Cortar não é apenas retirar tecido: Um ponto importante aqui é entender que cortar a pence não é simplesmente “tirar o excesso” e sim uma decisão de construção, já que depois de cortar, existem diferentes formas de tratar essa área:

* abrir a pence (distribuir o volume)

* rebater para um lado específico

* integrar em recortes da peça

* transformar em costuras estruturais


Ou seja, o corte altera a forma como o volume é resolvido na peça, a decisão começa na moulage, já que nessa etapa de construção a análise começa ainda no manequim.


Durante a construção, é possível observar:

* quanto volume está sendo concentrado

* como o tecido responde ao ajuste

* se há acúmulo excessivo

* se o caimento está limpo ou com tensão


Essa observação é essencial. A moulage permite testar antes de definir. Isso reduz erros e melhora a qualidade da decisão técnica.


Então resumindo os fatores que devem ser avaliados para decidir entre cortar ou apenas dobrar uma pence deve considerar:

* tipo de tecido

* espessura e rigidez do material

* tamanho da pence

* posição da pence na peça

* efeito desejado no caimento

* tipo de acabamento final


Esses fatores atuam juntos, ou seja, não existe uma única variável que determine a decisão.


PENCE COMO ELEMENTO DE CONSTRUÇÃO


Outro ponto relevante é que a pence não precisa necessariamente permanecer como pence, já que dependendo do projeto, ela pode ser transformada em:

* recortes

* linhas de design

* costuras estruturais


Isso é comum em peças mais elaboradas ou em alfaiataria e nesse caso, a decisão sobre cortar ou não está diretamente ligada ao desenho da peça.


ERRO COMUM DE INICIANTES


Um erro frequente é tentar aplicar uma regra fixa. Por exemplo: “sempre cortar pence grande” ou “nunca cortar pence. Esse tipo de abordagem limita o aprendizado, pois na prática, cada peça exige uma análise específica.


Outro erro é ignorar o comportamento do tecido. Dois tecidos diferentes podem exigir soluções completamente distintas, mesmo com a mesma pence.


Sabe o que caracteriza evolução técnica? Basicamente o avanço na moulage acontece quando o aluno passa a:

* observar o comportamento do tecido

* entender o impacto do volume interno

* antecipar problemas de caimento

* tomar decisões baseadas em análise


Nesse estágio, o aluno não depende mais apenas de instruções, e sim ele começa a construir com autonomia. Concluindo então (anote na sua apostila de moulage francesa):

  • Nem todas as pences devem ser cortadas.

  • Nem todas devem ser apenas dobradas.

  • A decisão depende da relação entre tecido, volume e resultado desejado.

  • Compreender isso é fundamental para evoluir na moulage, porque desloca o foco da execução mecânica para a tomada de decisão técnica.


    E é exatamente essa capacidade que diferencia um processo iniciante de um processo profissional! Bons estudos!


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